
Cabanha Cala Bassa
A CALA BASSA É O FRUTO DE MAIS DE 80 ANOS DE SELEÇÃO GENÉTICA FAMILIAR, HOJE REFLETIDOS EM UMA CAVALHADA PROTAGONISTA NAS PISTAS MAIS EXIGENTES DA REGIÃO, ONDE CAVALOS E MEMBROS DA FAMÍLIA OBTÊM PRÊMIOS DE DESTAQUE E PROJETAM A CONTINUIDADE DESTE LEGADO.
A história da Cabanha Cala Bassa é o resultado de mais de 80 anos de seleção genética, trabalho e paixão pelo cavalo Crioulo. Tudo começou em 1943, quando José Carrion Moglia iniciou a criação com os afixos Santa Thereza e Piraí, em uma época em que o cavalo era uma ferramenta essencial para o trabalho rural. Décadas mais tarde, o legado continuou com a Cabanha Firmeza, conduzida por Paulo Tavares Moglia, e logo com a Cabanha da Lagoa, fundada por Paulo Gomes Moglia e José Gomes Moglia. Naqueles anos, o cavalo Crioulo recebeu um grande impulso e ganhou maior visibilidade na sociedade graças ao desenvolvimento das provas funcionais e, especialmente, do Freio de Ouro. Paulo Gomes Moglia foi um dos protagonistas desse processo, tendo exercido dois mandatos como presidente da ABCCC e contribuído ativamente para o crescimento e projeção da raça. Na década de 1990, toda essa tradição familiar deu origem à Cabanha Cala Bassa, que desde então se destaca nas principais pistas da raça, acumulando importantes conquistas em morfologia e funcionalidade em cenários como a Expointer e a FICCC.
A cabanha Cala Bassa constrói uma trajetória marcada por resultados expressivos. São mais de 136 premiações morfológicas, entre elas: 23 classificações entre os quatro melhores animais das exposições e 8 Grandes Campeonatos. Mas a história da Cala Bassa nunca esteve apenas na beleza das pistas. Também se afirma naquilo que sempre foi a essência do cavalo Crioulo: a funcionalidade. Nas disputas do Freio de Ouro, a cabanha soma 29 finalistas, com conquistas que incluem: 1 Freio de Ouro, 3 Freios de Prata, 1 Freio de Bronze, 2 Bocais de Ouro e 1 Bocal de Prata.
No entanto, os resultados de uma cabanha não se medem unicamente pelos troféus, mas também pelo trabalho cotidiano, pela dedicação e pela qualidade construída ao longo de décadas. Com esse mesmo espírito nasceu, há 18 anos, o Redomão na Lagoa, um evento criado originalmente para selecionar funcionalmente os cavalos da cabanha, colocando sua genética à prova nas mãos de alguns dos melhores domadores do Brasil. O que começou como uma prova interna de seleção acabou se transformando em um importante encontro do cavalo Crioulo. Hoje o Redomão na Lagoa reúne clientes, amigos e apaixonados pela raça, atraindo jovens e novos investidores. O evento combina a tradicional prova de doma com paleteadas, atividades culturais, gastronomia e confraternização.
O projeto também se sustenta sobre uma forte tradição familiar. Sempre se acreditou que o cavalo deve ser provado no lombo, montado e trabalhado. Por isso, testam e desenvolvem pessoalmente os cavalos que criam. Essa paixão também se reflete na nova geração: Joaquim já obteve resultados importantes, entre eles uma Copa Jovem e um Freio de Bronze Jovem, e hoje participa ativamente da organização do Redomão. Pedro Moglia começa a dar seus primeiros passos com conquistas em provas de paleteada, enquanto Roberta acompanha e apoia o projeto familiar. Um capítulo especial é representado por Francisco, “Pancho”, que conquistou 12 Freios Jovens e se tornou o primeiro competidor jovem a participar de uma final profissional do Freio de Ouro. Porque, em essência, a história da Cala Bassa é mais que criar cavalos: é uma história de campo, família, trabalho e paixão pelo cavalo Crioulo, que continua sendo escrita dia a dia.
Em suas costas, a origem de três gerações formadas ao redor do cavalo crioulo. Para o futuro, as novas gerações de crias, que Marcelo considera garantidas na descendência de animais como Piraí 1569 do Brazão, que já exibem seu bom temperamento e morfologia. A continuidade também parece estar garantida na própria família de Marcelo. Sua esposa, Roberta, e seus filhos Joaquim e Francisco, vivem o dia a dia da criação. Por sua vez, com a vantagem que o testar um cavalo montado oferece, o próprio Marcelo vai obtendo a prova mais real que um criador pode ter de sua manada. É nela que palpitam os fundamentos de um bom cavalo gestados há mais de 70 anos, os mesmos que hoje saem do campo para levar seus brios à pista.